O recinto acolhe diariamente três turmas, com aulas a decorrer de segunda-feira a sábado. No entanto, o cenário actual é de destruição involuntário. O chão necessita de intervenções no piso, as paredes requerem pintura e reconstrução estrutural, faltam livros e o mobiliário escolar é praticamente inexistente após o impacto do temporal.

A maior preocupação de quem gere o espaço é o tecto. Sem uma cobertura adequada, a chegada do período chuvoso inviabiliza a continuidade das aulas, forçando os alunos a abandonarem o local sempre que o tempo muda.

“A prioridade é a ajuda na cobertura. Primeiro porque estamos a ir para o tempo chuvoso e nós não aproveitamos o espaço quando chove. Quando vem a chuva, logo corremos”, desabafa o responsável e professor do espaço, Maulana Omar.

Mesmo perante a ausência de carteiras e com as turmas sobrelotadas nas salas destruídas, a determinação dos alunos mantem o local habitado. As crianças continuam a afluir ao local diariamente, vindas de vários pontos de Paquitequete e bairros vizinhos.

“Com essa situação toda, continuam a vir. São muitas crianças e a sala acaba ficando pequena”, explica Maulana Omar.

Apesar do estado crítico das instalações, a Madrassa Hawa carrega um histórico de rigor no ensino e na memorização do Alcorão.

Do local já saíram alunos que garantiram bolsas de estudo e prosseguiram a sua formação académica e religiosa em cidades como Maputo e Beira. Actualmente, cerca de dez alunos encontram-se num estágio avançado de memorização, demonstrando o potencial educativo do centro.

Contudo, os apoios prometidos continuam sem se concretizar no terreno. Segundo o gestor da madrassa, passados dois anos após os estragos, nenhuma obra foi iniciada até ao momento.

A comunidade apela agora à solidariedade de instituições, empresários e da sociedade civil para restabelecer a dignidade do espaço, garantindo que as mais de 100 crianças de Paquitequete possam aprender o Alcorão em segurança e com as condições básicas a que têm direito.