O objectivo da iniciativa é reestruturar a aprendizagem da religião islâmica no país, combinando rigor académico com acessibilidade didáctica.

Durante a cerimónia, Maomede Naguib Omar, Presidente do Conselho de Administração da CEI, destacou que a entidade entende que “a verdadeira transformação de uma comunidade começa na base do conhecimento e na formação do carácter.”

Sublinhando a ligação entre a responsabilidade empresarial e o compromisso moral, Naguib Omar afirmou que o apoio a estas iniciativas didácticas reflecte a visão estratégica da instituição.

“Acreditamos que o investimento na literatura islâmica de carácter pedagógico é um investimento directo no futuro, na preservação de valores nobres e no fortalecimento religioso e ético das nossas famílias e da nossa juventude,” frisou o dirigente.

Recordando que a primeira revelação do Islão foi o imperativo Iqra (Lê), concluiu que as novas obras “não servem apenas para instruir, mas para educar o coração e a mente na vivência dos princípios da justiça, da compaixão, do respeito e da paz.”

A conceição pedagógica do currículo geral está a cargo de Sheikh Harris Gafur, autor dos manuais de Fiqh, Aqidah e Sirah. O autor explicou que a motivação para desenhar este programa de nove anos nasceu da necessidade de ultrapassar a aprendizagem fragmentada e esporádica.

“O conhecimento só é benéfico quando está estruturado,” defendeu. O currículo apresenta agora o seu nível básico completo, estruturado para responder a três questões teológicas fundamentais ao longo de três anos, através do ensino sobre Allah (Aqidah), a forma de adoração e o Salat (Fiqh), e a vida do Profeta Muhammad (Sirah).

Para Sheikh Harris, a publicação destes manuais é uma “tentativa de também pagar esta dívida que temos com Allah”, lembrando que “o conhecimento que Allah nos deu não é só para nós, tem que servir para a nação.

Manuais condensam disciplinas para evitar sobrecarga infantil e envolver as famílias no ensino

Na vertente direccionada especificamente ao Ensino Primário, os novos livros foram desenvolvidos por Sheikh Abubakar Apadre, sob a chancela da Editora Salam. A intervenção neste nível surge, segundo o autor, como resposta directa ao “enfraquecimento de valores morais da sociedade” e à urgência de “reconstruir a imagem imaculada do Isslam”.

Sheijh Apadre criticou as metodologias de ensino tradicionais baseadas na repetição vazia. “Queremos tirar a pessoa, moldar o estudante desta memorização mecânica para uma memorização adequada e justificativa” afirmou, sublinhando que a meta é formar indivíduos íntegros.

Para garantir que as crianças não sejam sobrecarregadas, o novo currículo primário condensou as tradicionais onze disciplinas religiosas em apenas duas áreas de estudo integradas, de forma a conciliar o ensino religioso com as seis disciplinas do Sistema Nacional de Educação.

“Não é possível nós pormos seis disciplinas mais onze disciplinas para uma cabeça,” explicou o Sheikh.

Para facilitar este acompanhamento familiar, os manuais incluem transliterações e significados, permitindo que até os pais que não dominam a língua árabe possam “aprender e fazer acompanhamento em simultâneo” com os seus educandos a partir dos sete anos de idade. (Texto: Ekibal Seda // Foto: Daúde Adade)