O “ALLY for Future” é uma iniciativa concebida especificamente para capacitar, inspirar e interligar a próxima geração de líderes femininas muçulmanas. A organização está a cargo do Ministério da Família e dos Serviços Sociais da República da Turquia, em estreita coordenação com a Presidência turca do Conselho de Ministros dos Negócios Estrangeiros da Organização de Cooperação Islâmica (OIC).

Em entrevista, Lágrima António, que também é membro do Gabinete Juvenil do Conselho Islâmico de Moçambique na província do Niassa, partilhou os bastidores do processo de selecção.

“O processo foi muito competitivo, uma vez que o edital estava aberto para mulheres com potencial e histórico de liderança ao nível de todo o mundo islâmico. Terem seleccionado uma pessoa de Moçambique constitui um grande avanço. Isso ilustra que é possível, como moçambicanos, termos esta ousadia e disputarmos espaços com qualquer pessoa no mundo”, afirmou.

A agenda da delegada moçambicana abrange painéis de debate, conferências interactivas e visitas oficiais de alto nível. Entre os temas centrais estão a liderança baseada em valores éticos, a inteligência artificial, a transição ecológica e debates humanitários sensíveis, como o painel “A Liderança em Tempos de Crise: O Caso de Gaza”, focado nas narrativas das mulheres em contextos de conflito.

No dia 24 de junho, data em que se assinala o Dia Internacional das Mulheres na Diplomacia, o programa acolhe o painel “Empoderamento das Mulheres: Representação, Participação e Impacto”.

Para Lágrima, a expectativa em relação a estes debates é de “adquirir conhecimento e experiências de outras mulheres líderes que estão a empreender, na política ou no comércio, e perceber como gerem os seus desafios sendo muçulmanas. Mas também procuro, de igual modo, partilhar as ferramentas de liderança que eu tenho, olhando para o contexto local de Moçambique.”

Além das conferências, as delegadas integraram visitas oficiais à Grande Assembleia Nacional da Turquia, mantendo encontros com o Presidente do Parlamento e com a Comissão de Igualdade de Oportunidades para Mulheres e Homens.

Questionada sobre o impacto deste evento no seu regresso a Moçambique, onde já desenvolve trabalhos com organizações locais e internacionais, ela deixou uma promessa firme aos seus leitores e à comunidade.

“Os leitores do Espaço Islâmico podem esperar de mim mais comprometimento, mais conhecimento e mais partilha. Quero ser um modelo de liderança que se assemelhe às grandes referências femininas da história do Isslam”, finalizou.

O evento encerra com a entrega de certificados e uma jornada de diplomacia cultural, que inclui visitas guiadas aos principais marcos históricos de Ancara, tais como o Anıtkabir, o Castelo de Ancara e a Casa da Cultura Africana.