Na sua intervenção, o Sheikh Daud Ibramogy começou por expressar reconhecimento da comunidade islâmica pelos esforços do Executivo moçambicano na resolução de dilemas sociais e educativos.

“Reconhecemos os esforços do Governo na inclusão religiosa. Recentemente, o Ministério da Educação ajudou a ultrapassar o dilema das nossas irmãs que eram impedidas de assistir às aulas, e dizemos muito obrigado ao Presidente da República e ao Ministério”, afirmou.

Contudo, o representante do CISLAMO aproveitou a ocasião para reforçar, o pedido da autorização para o uso do lenço (hijab) na emissão de documentos de identificação oficial.

Para fundamentar o pedido, o Sheikh apontou precedentes internacionais e raízes socioculturais do continente.

“Temos exemplos de vários países que já autorizaram o uso do lenço em documentos oficiais, como o Brasil e Portugal, só para citar alguns. Esta questão não é meramente religiosa, mas também cultural: as mulheres moçambicanas e de toda a África sempre usaram lenço”, explicou.

Diálogo, fraternidade e convivência pacífica

O discurso na IXª Conferência Nacional Religiosa foi igualmente pautado por apelos à unidade e convivência harmoniosa entre as diversas confissões religiosas que coexistem no país.

Citando o lema do encontro, Sheikh Daud sublinhou que a celebração da diversidade religiosa e o reforço dos laços de fraternidade constituem deveres espirituais.

“Para nós, muçulmanos, isto não é um esforço de circunstância, é um ensinamento da nossa fé”, frisou, citando a Surata Al-Hujurat (versículo 13) do Alcorão. “Ó humanos, criámo-vos de um homem e de uma mulher e fizemos de vós povos e tribos, para que se conheçam uns aos outros”.

Segundo o dirigente, o texto sagrado demonstra que as diferenças não devem ser vistas como um problema, mas sim como um motivo de aproximação interpessoal.

O director do Gabinete Juvenil do CISLAMO lembrou ainda o histórico de coexistência pacífica no país, onde cristãos, muçulmanos e crentes de outras fés partilham famílias, bairros, escolas e prestam socorro mútuo em momentos de calamidades naturais, algo que considerou “um testemunho do que somos e um exemplo único em África e no mundo”.

A terminar a sua intervenção perante o Chefe de Estado e os demais presentes, o responsável reafirmou o compromisso inabalável do CISLAMO com a consolidação da paz, da unidade nacional, do respeito pela Constituição e pela liberdade religiosa.

“Continuaremos a ensinar nas nossas mesquitas, nas nossas escolas e nos nossos meios de comunicação que o bom muçulmano é o que serve bem o seu vizinho, seja qual for a sua fé. Que Deus abençoe esta conferência, abençoe Moçambique e guie os nossos passos para a fraternidade”, concluiu. (Ekibal Seda)