O evento debateu a desconstrução de estereótipos sobre o mundo islâmico, o papel da independência jornalística, as novas ferramentas tecnológicas e o aprofundamento das relações estratégicas e culturais entre a Europa e a Ásia Central.

A iniciativa esteve directamente ligada ao discurso proferido em 2017 pelo Presidente uzbeque, Shavkat Mirziyoyev, na Assembleia Geral da ONU, no qual rejeitou qualquer tentativa de associar o Isslam à violência e ao derramamento de sangue.

O apelo resultou na aprovação, no ano seguinte, da resolução da ONU sobre “Esclarecimento e Tolerância Religiosa”, princípio que serviu de base para as discussões em Tashkent sobre factos, media e património histórico.

Durante os trabalhos, Firdavs Abdukhalikov, diretor do centro organizador, defendeu que o combate à islamofobia exige pedagogia e rigor científico em vez de confronto.

Abdukhalikov destacou que a resposta mais eficaz à ignorância e às percepções erradas reside na verdade, no esclarecimento e na divulgação fundamentada da história cultural do Isslam.

Noutra perspectiva, Hasanbey Kondu, da editora turca Mega Basım, acrescentou que a responsabilidade pelas distorções também deve ser assumida pelos próprios muçulmanos, incentivando uma atitude de autocrítica sobre a forma como a religião é compreendida e apresentada ao mundo, sem culpar exclusivamente a Europa ou o mundo moderno.

A representação da Ásia Central e o trabalho jornalístico no terreno foram igualmente centrais. Sherzod Asadov, porta-voz da presidência do Uzbequistão, convidou a imprensa internacional a observar o país sem filtros para tirar conclusões próprias, abordando ainda a emergência da inteligência artificial no sector.

Segundo Asadov, embora a IA possa ampliar o trabalho dos profissionais, a verdade, a consciência e a imparcialidade do factor humano permanecem insubstituíveis.

A perspectiva europeia foi trazida por Claus Strunz, director executivo da Euronews, que criticou o desinteresse histórico do continente em relação à Ásia Central, classificando a postura anterior de “arrogante e cega”.

Strunz sublinhou a importância crescente da região para a Europa, impulsionada pelo aprofundamento das relações diplomáticas após a recente cimeira em Samarcanda que elevou a parceria ao nível estratégico, e frisou que o compromisso do jornalismo deve manter-se estritamente informativo e independente. (Espaço Islâmico/Euronews)