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Por onde anda a Caravana de Dawah?

Por onde anda a Caravana de Dawah?
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Educação

Há sensivelmente dez anos surgiu no país um grupo de Álimos (teólogos muçulmanos), designado Caravana de Dawah que organizava debates inter-religiosos. A Caravana encabeçada pelos Sheikh Abdul Rahman Said e Sheikh Abubacar Apadre, que andava de zona em zona ultimamente anda distante da vista de muitos fiéis de várias religiões. E quase ninguém sabe o motivo desse silêncio.

É neste sentido que o Espaço Islâmico procurou ouvir os responsáveis deste movimento criado com objectivo de promover a religião islâmica baseando-se em conversas inter-religiosas.

 

Segundo o Sheikh Abdul Rahman, presidente da Caravana de Dawah apesar do silêncio dos últimos dias o grupo continua a exercer os seus trabalhos mas desta vez com foco nas zonas mais recônditas do país.

 

“Devo dizer que a Caravana de Dawah, em termos de saúde, está muito boa, e em termos de trabalhos, é claro que temos feito trabalhos em campo, ou seja, nós somos notados pelo trabalho em campo, mas também existem trabalhos feitos internamente que poucas se tornam públicas”, explicou o Sheikh Abdul Rahman.

 

O presidente da Caravana de Dawah contou que fizeram trabalhos de grande impacto nas principais capitais provinciais do país e agora preparam-se para fazer uma digressão ao longo dos distritos.

 

A Caravana de Dawah não se limita em debates inter-religiosos

Ao longo da nossa conversa o Sheikh clarificou que actualmente as actividades da Caravana de Dawah não se limitam apenas em debates inter-religioso, pelo que continuam a trabalhar mesmo sem reunir pessoas para conversar sobre a inter-religião.

 

Enquanto o grupo não aparece publicamente a debater assuntos ligados a inter-religião o Sheikh explica que há trabalhos no âmbito da ajuda humanitária a serem desenvolvidos através de um projecto designado “Amor ao próximo”, chancelado pela Caravana de Dawah.

 

Através do projecto Amor ao próximo desenvolvem actividades de carácter social e assistência à mesquitas. Esses trabalhos complementam o resultado dos debates.

 

“Temos, neste momento, a responsabilidade de pagar imamos de duas mesquitas na Matola e no distrito de Caia. Como sabem, quando nós fizemos a nossa digressão pelo centro e norte do país, passamos por Sena, que é o centro do país”, contou.

 

O sheikh disse ainda que apesar de serem notados e conotados como pessoas que só fazem debates inter-religiosos, isso não os impede de desenvolverem outras actividades. Aliás, segundo contou, qualquer trabalho tem sempre o seu ponto de partida e no caso da Caravana são os debates.

 

Caravana de Dawah preencheu o vazio que havia na divulgação do Isslam em Moçambique

O sheikh explicou ainda que a ideia dos debates surge da necessidade que notaram de colocar muçulmanos e praticantes de outras religiões para “frente-a-frente” falarem das suas crenças religiosas.

 

Havia muita restrição, hesitação ou vergonha, dos muçulmanos em terem conversas com os não-muçulmanos e até mesmo pronunciar o nome de Jesus, dentro do Masjid, podemos dizer que não havia esta permissibilidade. Nós mudamos isso”, revelou.

 

Segundo conta, no início das actividades a Caravana foi criticada conotada de promotora da intolerância religiosa. Mas também foi acusada de promover a bidah (inovação) na religião islâmica.

 

“O facto de nós entrarmos para o dawah da inter-religião, isso foi uma afronta, uma crítica para aqueles muçulmanos conhecedores da matéria que não faziam este trabalho. Disseram que isso nos traria problemas. Tivemos muitas consequências e muitos conselhos negativos até de próprias pessoas que hoje estão a aplaudir”, revelou.

 

É neste sentido que actualmente diferentes órgãos de comunicação social discutem abertamente temáticas de inter-religião como nunca antes o fizeram. Ademais, consideram a Caravana de Dawah pioneira na matéria.

 

Se for a notar e fazer uma retrospectiva verá que antes da Caravana de Dawah começar a fazer esses debates, as televisões não tinham estes programas onde de forma livre e aberta trazem muçulmano e cristão para discutir assuntos religiosos de forma natural”, avançou.

 

Mesmo avaliando o trabalho de forma positiva devido a participação activa dos muçulmanos nessas conversas e a replicação das actividades do género o Sheikh lamenta o facto de ainda haver resistência em alguns irmãos de fé.

 

“Há quem pensava que nós éramos os criadores ou fomentadores da guerra inter-religiosa dentro do nosso país, mas agora percebem o contrário. No entanto ainda há quem não nos aceita, mas isso não nos preocupa muito porque estamos a conseguir atingir o alvo e isso nos alegra bastante”, destacou.

 

Num outro desenvolvimento o Sheikh Abdul Rahman lamentou o facto de que os muçulmanos, teólogos assim como possuem fragilidades em matérias de inter-religião. Segundo explicou essas fragilidades são motivadas pela falta de pesquisa na área.

 

“Nós andamos com aquele pensamento de que não, o Alcorão é meu livro e basta. Nós temos que provar a eles a partir daquilo que eles acreditam, porque se não acreditam no nosso livro que já é claro, então nós temos que tentar fazer perceber a eles através daquilo que eles acreditam”, disse o Sheikh ressalvando a necessidade de se aprofundar conhecimento das outras religiões.

 

Neste sentido nos próximos dias projecta-se uma digressão pelo país com destaque para os distritos para a divulgação do projecto Amor ao Próximo mas também para a cimentar as bases da Caravana por forma a materializar os seus objectivos.

 

“A Caravana de Dawah irá fazer uma digressão pelo país, mas desta vez mais focalizado para os distritos e se calhar para as localidades e postos administrativos. O nosso plano é de irmos aos distritos para continuarmos com o trabalho de inter-religião”, contou.

 

O nosso entrevistado revelou que também pensam em focar-se na capacitação de jovens nessa matérias por forma a garantir que haja no futuro continuidade deste trabalho.

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