Ataque a centro islâmico nos EUA reacende debate global sobre islamofobia e extremismo
Ataques terroristas e crimes de ódio contra muçulmanos registados nos últimos anos em diferentes países voltaram a acender o debate internacional sobre a islamofobia, o extremismo de extrema-direita e a segurança das comunidades islâmicas.
Segundo informações publicadas pela Agência Anadolu, o tema ganhou novo e trágico destaque após o ataque ocorrido nesta semana no Centro Islâmico de San Diego, nos Estados Unidos, onde três pessoas morreram, incluindo um segurança.
Conforme relataram as autoridades locais, os dois suspeitos do crime morreram logo após o acto em decorrência de ferimentos de bala autoinfligidos. Este caso recente se soma a uma série de atentados e ataques violentos registados ao longo da última década em países como Canadá, Reino Unido, Noruega e Nova Zelândia, acendendo um alerta global sobre o avanço da violência contra minorias religiosas.
Entre os episódios mais marcantes desse histórico de violência está o massacre ocorrido em março de 2019, em Christchurch, na Nova Zelândia. Na ocasião, um atirador supremacista branco invadiu duas mesquitas durante as orações de sexta-feira e assassinou 51 pessoas, transmitindo parte do massacre ao vivo pela internet.
O autor do ataque, Brenton Tarrant, acabou condenado à prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional.
“O crescimento da islamofobia tem sido impulsionado por discursos extremistas, radicalização online e disseminação de teorias conspiratórias ligadas ao supremacismo branco”, alertam especialistas e organizações internacionais de direitos humanos, que vêem uma conexão directa entre a propaganda de ódio na internet e a execução desses atentados.
Essa influência transfronteiriça ficou evidente na Noruega, também em 2019, quando um homem armado atacou o Centro Islâmico Al-Noor, próximo a Oslo. Segundo os investigadores do caso, o criminoso havia sido directamente influenciado pelos ataques de Christchurch e por ideologias extremistas de extrema-direita.
Outro caso de grande repercussão aconteceu no Canadá, em 2021, na província de Ontário, onde quatro integrantes de uma família muçulmana morreram atropelados por um homem que lançou um camião contra eles durante uma caminhada nocturna.
Na época, a Justiça canadense classificou o crime como um acto de “terrorismo motivado por ideologia nacionalista branca”, rejeitando a ideia de que fosse um incidente isolado.
O histórico de agressões na Europa também inclui o Reino Unido, onde, em 2017, um homem dirigiu um carro contra fiéis que saíam de orações do Ramadhan próximas à mesquita de Finsbury Park, em Londres, matando uma pessoa e deixando vários feridos.
Nos Estados Unidos, o sentimento anti-islâmico já havia cobrado vidas em 2015, quando três estudantes universitários muçulmanos foram mortos a tiros em Chapel Hill, na Carolina do Norte.
Embora o autor do crime tenha alegado, no início das investigações, que o acto foi motivado por desentendimentos pessoais e disputas quotidianas, familiares das vítimas e promotores do caso apontaram, desde o princípio, para uma clara “motivação ligada à intolerância religiosa”.
Diante do novo episódio em San Diego, a comunidade internacional enfrenta mais uma vez a urgência de conter a propagação de ideologias extremistas que continuam a fazer vítimas em locais de culto pelo mundo. (Espaço Islâmico/Anadolu)
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