A vida terrena deixa de nos causar espanto quando a olhamos com as lentes de provação e teste
A vida terrena deixa de nos causar espanto quando a olhamos com as lentes de provação e teste
A vida terrena deixa de nos causar espanto quando a olhamos com as lentes de provação e teste
O Isslam convida o ser humano a rever a sua percepção da vida no que diz respeito à ideia de “vida boa” ou “vida má”, afirmando que nem toda vida confortável é necessariamente boa, e nem toda vida difícil é necessariamente má.
Nem toda facilidade é honra, e nem toda dificuldade é castigo. O Alcorão descreve e apresenta a vida terrena como um campo de prova que inclui tanto a facilidade quanto a dificuldade, e não se limita apenas ao sofrimento.
Allah diz: “E Nós vos provaremos com o mal e com o bem, como teste; e a Nós sereis retornados.” Al-Anbiya 21:35
Este versículo nos transmite a ideia de que a pobreza pode ser prova, a riqueza pode ser prova, a doença pode ser prova, a saúde pode ser prova, a facilidade pode ser prova, a dificuldade pode ser prova. Tudo na vida agrega a lógica de provação. Dr. Abdul Karim Bakkar diz:
“Muitos pensam que a provação só ocorre nas calamidades, mas a verdade é que as bênçãos são o maior teste, pois na dificuldade recorremos a Allah por necessidade, enquanto na prosperidade é testada a sinceridade da nossa gratidão e a firmeza dos nossos corações. A continuidade das bênçãos não se mantém apenas preservando-as, mas reconhecendo Aquele que as concedeu, e fazendo com que sejam um meio de obediência e não de negligência”.
O Isslam não nega que, em certos momentos, pessoas que não seguem a religião possam aparentar uma vida mais “fácil” ou “bem-sucedida” aos olhos do mundo. Contudo, isso deve ser compreendido dentro de um quadro mais amplo e profundo.
O Alcorão diz: “Quando se esqueceram do que lhes fora lembrado, abrimos para eles as portas de todas as coisas, até que, quando se alegraram com o que lhes fora concedido, apanhámo-los subitamente…” Al-An'am 6:44
Quem olha para a vida com as lentes da provação não mede a “vida boa” apenas pelo que é visível neste mundo, ignorando a dimensão do destino final perante Allah.
O muçulmano, portanto, não mede o valor das pessoas apenas pelo que possuem, nem interpreta todas as circunstâncias materiais como sinais absolutos de honra ou humilhação divina. Ele compreende que a verdadeira questão não é apenas “o que Allah concedeu”, mas também “como a pessoa reage ao que lhe foi concedido” com paciência, gratidão, obediência e proximidade de Allah.
A distribuição dos recursos mundanos ocorre segundo a sabedoria divina e as leis estabelecidas por Allah na criação, enquanto a recompensa plena da fé transcende a dimensão material imediata e encontra a sua realização definitiva na vida futura.
Muitas pessoas pensam “A vida das pessoas más andam bem e a vida das pessoas boas anda mal.” Allah diz:
“Quanto ao homem, quando seu Senhor o põe à prova, honrando-o e concedendo-lhe graças, ele diz: ‘Meu Senhor me honrou’. Mas quando o põe à prova restringindo-lhe a provisão, ele diz: ‘Meu Senhor me humilhou. Não! (Não é assim).” Al-Fajr 89:15–17
O Alcorão rejeita completamente essa equação simplista. Este versículo corrige uma percepção humana recorrente considerar a abundância material como sinal de honra divina e a dificuldade financeira como sinal de humilhação.
A prosperidade na vida terrena não depende necessariamente de alguém ser bom ou mau; ela frequentemente alcança quem procura, se esforça e segue as causas que conduzem aos resultados materiais, seja crente ou não.
Porém, a tranquilidade interior possui outra lógica. Ela não nasce apenas da abundância de recursos, mas da ligação com Allah, da fé e das boas acções. A riqueza pode preencher as mãos, mas a lembrança de Allah é que preenche o coração.
O muçulmano, por isso, não olha para a vida terrena apenas com os olhos da riqueza ou da pobreza, mas com os olhos de provação e teste, compreendendo que a facilidade pode ser uma prova tanto como a dificuldade.
Na vida terrena, uma verdade permanece evidente, nem os maus vivem uma felicidade absoluta, nem os bons vivem um sofrimento absoluto.
A voz da prosperidade
Sheikh Muhammad Tacuane
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